O fármaco que reduz mortalidade em 80% e ninguém prescreve
Se existisse um remédio com esse efeito, a humanidade pagaria qualquer preço por ele. Esse remédio existe — e o paciente raramente é informado disso.
Se existisse um fármaco que reduzisse o risco de morte por todas as causas em até 80%, a humanidade pagaria qualquer preço por ele.
Esse fármaco existe. Chama-se exercício físico.
O dado vem do estudo da Cleveland Clinic com 122 mil adultos: baixa aptidão cardiorrespiratória mostrou hazard ratio de 5,04 contra a aptidão de elite. Para comparação, no mesmo estudo: tabagismo 1,41, diabetes 1,40, doença coronariana 1,29.
Sedentarismo mata mais que fumar. Não é provocação. É o número.
A aptidão cardiorrespiratória — medida pelo VO₂ max — é o marcador prognóstico mais poderoso da medicina interna. Mais que pressão arterial sistólica. Mais que o perfil lipídico. Mais que a glicemia.
E é, ao mesmo tempo, o marcador mais barato de melhorar. Não exige medicamento de alto custo, não exige tecnologia de ponta. Exige tempo, estrutura e uma escolha clínica de prescrever exercício com o mesmo rigor que se prescreve um anti-hipertensivo: dose, frequência, intensidade, monitoramento.
A pergunta clínica honesta: por que isso quase nunca aparece numa consulta de rotina?
Fonte: Capítulo 7 do livro Antes.
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