Normal versus ótimo — o intervalo que o laboratório não imprime
A faixa de referência do exame foi construída para detectar doença, não para sustentar saúde. A diferença entre as duas é grande, e dela depende muito.
A faixa de "normal" do laboratório não foi construída pensando em você. Foi construída a partir da população — e dessa população foram retirados os doentes óbvios, mas não foram retirados os pré-doentes.
Resultado: o "normal" abrange uma janela larga, dentro da qual cabem pessoas em rota de doença, pessoas saudáveis e pessoas em condição ótima. Para a triagem da doença instalada, isso funciona. Para a construção da longevidade, não.
A diferença entre uma insulina de jejum 8 e uma de 25 não é gradação — é um abismo. Ambas são "normais" no laudo. Uma é compatível com saúde metabólica plena; a outra está a poucos anos de evoluir para resistência insulínica clínica, esteatose hepática e síndrome metabólica.
O mesmo vale para ApoB, hs-CRP, homocisteína, vitamina D, ferritina, TG/HDL. Em todos, há uma faixa "normal" e uma faixa "ótima" — e a distância entre elas é onde a janela silenciosa se hospeda.
Reler exames sob a lente do ótimo não exige aparelho novo nem caro. Exige outra pergunta. A leitura é a mesma. A pergunta é diferente.
Fonte: Capítulo 4 do livro Antes.
A janela silenciosa entre o normal e o ótimo
Há um intervalo de dez a vinte anos em que a doença grave se monta sem aparecer em exames de rotina. É nesse intervalo que a longevidade é construída ou perdida.
Medicina 2.0 contra Medicina 3.0 — alarme ou detector
A medicina que tratou seu pai não é a medicina que vai te tratar. A diferença está em quando ela atua.
O fármaco que reduz mortalidade em 80% e ninguém prescreve
Se existisse um remédio com esse efeito, a humanidade pagaria qualquer preço por ele. Esse remédio existe — e o paciente raramente é informado disso.